
No dia 7 de abril de 1506, nasceu no Castelo-Solar da família Aguarês y Javier o oitavo filho, a que foi dado o nome de Francisco. Seu pai, nobre conceituado do Reino de Navarra, exercera o cargo de embaixador extraordinário junto dos Reis Católicos, Fernando e Isabel.
A família de Francisco, rica de bens materiais, de títulos honoríficos e com elevada distinção mantinha junto da população uma excelente reputação, graças à sua generosidade e amizade.
Francisco cresceu junto aos Pirinéus, num ambiente de riqueza e de tradição. Desde cedo mostrou uma aguçada inteligência e uma crescente paixão pelos estudos. Aos sete anos iniciou os estudos colegiais em Gandia-Espanha, onde lhe foi profetizado um futuro glorioso. Aos 14 anos entrou no Colégio de Santa Bárbara, de Paris, para completar as disciplinas de filosofia, literatura e humanidades. Foi nesta escola que aprendeu as línguas francesa, alemã e italiana.
Quando tinha 18 anos, o jovem Francisco entrou para a Universidade de Paris. Formou-se, com distinção, em latim, filosofia e humanidades. Após terminar esta formação, atingiu a cátedra em artes de engenharia. No colégio de Santa Bárbara, firmou uma forte e íntima amizade com o colega Inácio que seguia uma carreira militar. Inácio abandonou o exército em consequência de um grave acidente e junto a Francisco iniciaram um conjunto de exercícios espirituais, imaginados pelo primeiro, com vista ao estudo da doutrina cristã e benefício da humanidade.
Depois de peregrinarem pelos lugares santos, ingressaram no Seminário de Veneza no dia 15 de agosto de 1530, com o propósito de fundarem a ordem dos Filhos de Jesus. Em 24 de Junho de 1536, Francisco Xavier foi ordenado sacerdote. Mas a doença começou a atormentá-lo. Por várias vezes esteve acamado e a notícia da anexação de Navarra a Castela deixou-o muito abalado.
Em Portugal, D. João III precisava de uma ordem de evangelizadores que, com a cruz na mão, levassem a notícia desta nação de bravos e bons homens, aos recém descobertos povos de além-mar. Solicitou ao Papa que lhe fossem destinados alguns Padres Jesuítas, atendendo às suas afamadas técnicas de evangelização. Francisco Xavier foi escolhido e com entusiasmo iniciou a missão.
No Oriente, percorreu Goa e depois as Ilhas de Madrasta, Maçacar, Malaca, Molucas, Amboíne e Moro. As condições de vivência eram difíceis, mas as feitorias portuguesas começaram a solidificar após a passagem. No Japão continuou o percurso evangelizador e rapidamente entrou nas relações das mais importantes famílias do Império do Sol Nascente. Francisco fracassou no contato com o imperador e com o Shogum, que não aceitavam os seus atos religiosos. Depois disso, seguiu para a Etiópia, onde conquistou o imperador e a imperatriz, movendo-se com facilidade nos círculos de poder da nação.
Mas a Índia era a sua paixão. Doente e cansado retornou a Goa no dia seis de maio de 1551, com 44 anos de idade. Foi recebido com alegria pela comunidade local e com festejos pela nobreza. Dedicou os últimos tempos de vida ao trabalho no campo humanístico e cultural. Francisco teve uma febre infecciosa e visitou a Missão de Sancião no dia 1º de dezembro de 1552. Acabou morrendo na madrugada do dia 3 de dezembro de 1552, numa humilde esteira de vimes. Francisco estava abraçado ao crucifixo que o velho amigo Inácio, um dia, lhe tinha oferecido.
Mas há obras que não morrem. Nem os seus obreiros. No dia 25 de outubro de 1605, o papa Paulo V beatificou o Padre Francisco Xavier que passou a ser conhecido como São Francisco Xavier em 12 de março de 1622, quando foi canonizado pelo papa Gregório XV.

Ó Deus, que chamastes muitos povos do oriente à luz do Evangelho através da pregação apostólica de São Francisco Xavier,
fazei com que todos os católicos ardam no seu mesmo zelo missionário para que em toda a terra a Santa Igreja
se alegre sempre com novos filhos. Por Cristo Nosso Senhor.
Amém.

Conta a hist
ória que a imagem de Nossa Senhora da Graça chegou a São Francisco do Sul em 1553. Um bergantim espanhol, o La Concepción, que se dirigia ao Rio da Prata, foi surpreendido em alto mar por uma forte tempestade que ameaçava a segurança da embarcação, a vida das famílias a bordo e dos marinheiros. Estes, no auge do desespero, ajoelharam-se perante a imagem que traziam no navio, clamando a Deus por misericórdia. Prometeram então construir, na primeira terra em que pisassem, uma capela dedicada à Santíssima Virgem.
Era noite. A tempestade amainou e, dias depois, o barco chegou às terras onde hoje fica São Francisco do Sul. Fiéis à palavra dada, os espanhóis ergueram ali a primeira capela para Nossa Senhora da Graça. A comitiva permaneceu na região até 1555 e deixou construída a capela com a Imagem, venerada no grandioso templo até os dias de hoje.
Em 1658, Manuel Lourenço de Andrade, vindo da capitania de São Vicente, trouxe sua família e fundou o povoado que daria origem à região. Em 1660, o povoado foi elevado à Vila, recebendo um nome que eternizaria essa história: Vila de Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco Xavier do Sul.
Ao chegar, Manuel Lourenço de Andrade encontrou a pequena capela original e decidiu ampliá-la. A obra ficou pronta em 18 de dezembro de 1665, mesmo ano em que o local se tornou oficialmente Paróquia Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco, e também o ano da morte de Manuel.

Durante o primeiro Ano Mariano da Igreja, em 1954, a imagem de Nossa Senhora da Graça foi solenemente coroada Rainha da então Diocese de Joinville. A imagem cruzou a Baía da Babitonga em uma grande procissão marítima, reunindo milhares de fiéis. O cortejo seguiu pelas ruas de Joinville, do cais do porto do Bucarein até a antiga Catedral, onde a imagem permaneceu por uma semana inteira.
Cinquenta e quatro anos depois, em 2004, Nossa Senhora da Graça retornou a Joinville. A visita se repetiu em 2005 e 2006, cada vez reacendendo a devoção de milhares.
Em 23 de agosto de 2026, após 20 anos, a imagem original deixou São Francisco do Sul e veio até Joinville para a Concentração Mariana da Arquidiocese de Joinville, que reuniu aproximademente 15 mil fiéis no centro da cidade. Neste dia, Nossa Senhora da Graça foi coroada e reconhecida como Rainha desta arquidiocese e, de forma solene, a Arquidioces de Joinville foi consagrada a ela.