Rezar o Terço de Nossa Senhora é uma das formas mais simples e, ao mesmo tempo, mais profundas de cultivar a vida de oração. Mais do que uma oração mariana, é profundamente cristocêntrica. Quando o rezamos, dirigimo-nos a Maria para, com ela e por meio dela, contemplarmos Jesus, pois sua missão é sempre conduzir-nos ao Filho. Ela é aquela que conservava e meditava os acontecimentos de Jesus em seu coração. Rezar o Terço é também aprender com Maria a permanecer diante do mistério de Cristo. A repetição das orações é valiosa, pois cada Ave-Maria é como uma batida do coração que acompanha a contemplação de um acontecimento da vida de Jesus. Enquanto os lábios rezam, a mente e o coração são convidados a contemplar. O Terço cria um ritmo sereno que nos ajuda a afastar a dispersão e a colocar-nos na presença de Deus.
São João Paulo II, na Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, apresentou o Rosário como uma oração que coloca o cristão na escola de Maria para contemplar o rosto de Cristo. Essa é uma das grandes riquezas do Terço: ele nos ensina a olhar novamente para Jesus, a percorrer sua vida e a permitir que seus mistérios iluminem nossa própria existência. Rezar o terço é reservar um tempo para Deus. Quando rezamos o Terço, não estamos simplesmente contando Ave-Marias. Estamos dizendo a Deus que queremos caminhar com Cristo e que desejamos aprender de Maria a acolher, guardar e viver o Evangelho. Quem aprende a rezá-lo com o coração descobre nele um caminho de intimidade com Deus, de amor a Maria e de contemplação de Jesus Cristo.
O coração do Terço não está simplesmente nas palavras que pronunciamos, mas naquilo que somos convidados a contemplar enquanto rezamos. Cada dezena nos coloca diante de um mistério da vida de Jesus Cristo. Por isso, rezar o Terço é fazer uma peregrinação espiritual pelo Evangelho. Os mistérios Gozosos conduzem-nos aos acontecimentos da infância de Jesus. Contemplamos a Anunciação, a Visitação, o nascimento do Senhor, sua apresentação no Templo e seu encontro entre os doutores. Com Maria, aprendemos a acolher os planos de Deus, a servir com prontidão, a reconhecer a presença de Deus na simplicidade e a procurar Jesus quando sentimos que o perdemos de vista. Nos mistérios Luminosos, contemplamos aspectos fundamentais da vida pública de Cristo: seu Batismo no Jordão, a manifestação nas Bodas de Caná, o anúncio do Reino de Deus, a Transfiguração e a instituição da Eucaristia. São mistérios que nos recordam que Jesus é a verdadeira luz do mundo. Contemplá-los significa deixar que sua luz ilumine nossas escolhas, nossa fé e nossa missão. Nos mistérios Dolorosos, acompanhamos Jesus no caminho da paixão. Contemplamos sua agonia, sua flagelação, sua coroação de espinhos, o caminho até o Calvário e sua crucifixão. Não contemplamos o sofrimento por si mesmo, mas o amor de Cristo que se entrega. Maria permanece próxima do Filho e nos ensina que a fé também precisa permanecer firme nos momentos de dor e provação.
Nos mistérios Gloriosos, contemplamos a vitória de Cristo: sua Ressurreição, sua Ascensão, a vinda do Espírito Santo, a Assunção de Maria e sua glorificação. Depois da cruz vem a vida; depois da morte, a Ressurreição; depois da espera, a plenitude. O Terço termina conduzindo nosso olhar para a esperança cristã.
Na oração do terço basta permanecer diante do mistério com fé. Às vezes, nossa mente estará mais concentrada; outras vezes, haverá distrações. O importante é retornar serenamente ao mistério que estamos contemplando. O Terço nos oferece, assim, uma verdadeira escola de Evangelho. Dezenas após dezenas, mistério após mistério, vamos deixando que Jesus seja apresentado novamente ao nosso coração. Maria nos acompanha nessa contemplação, como acompanhou o Filho durante sua vida terrena. Rezar bem o Terço, portanto, não é correr para terminar as cinco dezenas. É permitir que cada mistério encontre espaço dentro de nós. É contemplar, escutar, acolher e deixar que aquilo que contemplamos transforme nossa maneira de viver. Quem contempla Cristo com Maria aprende, pouco a pouco, a viver como discípulo de Cristo.
Fonte: Dom Francisco Carlos Bach.
