Qual o significado da caridade durante a quaresma?
Conheça mais sobre esta prática tão comum durante o tempo quaresmal
22.03.2023 - 14:39:17

Durante o tempo quaresmal escutamos que são três as principais práticas a se vivenciar: jejum, caridade e penitência. A caridade, ou chamada de esmola, é a forma concreta de ajudar quem se encontra em situação de necessidade, mas ao mesmo tempo, também é um exercício espiritual para se libertar da atração, muitas vezes sem controle, dos bens terrenos. Nesse sentido, não se pode negar que a tentação e a ganância em relação aos bens materiais existe, e o próprio Jesus nos alerta de forma enfática sobre o quão forte é a atração pelas riquezas materiais e como deve ser firme a nossa decisão em não as idolatrar, quando Ele afirma: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16, 13).
A esmola ajuda-nos a vencer esta tentação, educando-nos para ir ao encontro das necessidades do próximo e partilhar com os outros aquilo que, por bondade divina, possuímos. Isso faz emergir em nós o senso comunitário, e num âmbito ainda mais cristão, um senso de fraternidade que deve ser traduzido em gestos concretos partilhando com quem necessita, isto é, com o próximo em nossa vizinhança, em nosso ambiente de trabalho, ou mesmo à rua com quem se encontre… Desta forma, a purificação interior é corroborada por um gesto de comunhão fraterna entre os filhos de Deus, como acontecia já na Igreja primitiva.
Segundo o ensinamento evangélico, não somos proprietários, mas administradores dos bens que possuímos: assim, estes não devem ser considerados propriedade exclusiva, mas meios através dos quais o Senhor chama cada um de nós a fazer-se intermediário da sua providência junto do próximo.
Há um outro aspecto muito importante para nós cristãos sobre a prática da caridade, o de ser um gesto totalmente discreto. Se por um lado nossa vida deve ser sempre um exemplo para os não crentes, por outro lado o verdadeiro cristão não deve buscar fazer disto pretexto para uma autopromoção, deste modo o Evangelho nos recorda essa característica típica da esmola cristã: deve ficar escondida, “que a tua mão esquerda não saiba o que fez a direita”, diz Jesus, “a fim de que a tua esmola permaneça em segredo” (Mt 6, 3-4).
A prática quaresmal da esmola torna-se, portanto, um meio para aprofundar a nossa vocação cristã. Quando se oferece gratuitamente a si mesmo, o cristão testemunha que não é a riqueza material que dita as leis da existência, mas o amor. Deste modo, o que dá valor à esmola é o amor, que inspira formas diversas de doação, segundo as possibilidades e as condições de cada um.
Neste período quaresmal devemos fazer um esforço pessoal e comunitário de adesão a Cristo para sermos testemunhas do seu amor. A Quaresma convida-nos à prática da esmola, para crescermos na caridade e nos pobres reconhecermos o próprio Cristo. Com a esmola, oferecemos algo de material, sinal do dom maior que podemos oferecer aos outros com o anúncio e o testemunho de Cristo, em cujo nome temos a vida verdadeira.
Texto escrito por Dom Eurico dos Santos Veloso, Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG), para o site da CNBB
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Fonte Assessoria de Comunicação com informações do site da CNBB
