Palavra do bispo: O catequista e seu ministério
Artigo traz a homilia realizada na Missa da instituição do Ministério de Catequista na Diocese de Joinville
31.10.2024 - 11:48:33

Atendendo ao pedido de muitas pessoas, reproduzo no artigo deste mês a homilia que proferi no dia 29 de agosto próximo passado, ao instituir várias pessoas de nossas paróquias no “Ministério de Catequista".
A Catequese é um serviço essencial na e para a Igreja de Jesus Cristo. Enquanto formação, ela é a base para alicerçar uma vida cristã. Busca revelar a pessoa de Jesus e levar a pessoa do catequizando a um verdadeiro encontro com o Cristo e com a Igreja, com a sua comunidade. É um processo de educação da fé.
A comunidade como um todo é a principal responsável pelo ministério da catequese em virtude do batismo recebido por cada fiel. Porém, dentro e em nome dela, alguns dos seus membros são chamados e formados para exercer uma vocação específica do anúncio da Palavra e da transmissão da fé. Esses catequistas possuem tal vocação enraizada na “vocação comum do povo de Deus, chamado a servir o desígnio salvífico de Deus em favor da humanidade” (DC, n. 110).
O Papa Francisco instituiu o ministério de catequista na Igreja para realçar a responsabilidade do cristão em evangelizar como consequência do batismo recebido e reafirmar a obrigação da Igreja em formar e educar de modo conveniente os seus catequistas. E assim alguns fiéis cristãos assumem, de forma oficial, estável e não apenas voluntária, mas como ministério recebido, a função de catequizar. A comunidade vai esperar do catequista uma melhor e mais profunda preparação, pois quem recebe o ministério se torna referência permanente para a comunidade. Instruirão e educarão em nome da Igreja. O ministério é permanente, contudo o seu exercício não necessariamente.
O Papa Francisco diz que somente podem receber o ministério de catequista homens e mulheres de fé profunda e maturidade humana. Devem participar ativamente da vida da comunidade cristã, ser capazes de “acolhimento, generosidade e uma vida de comunhão fraterna”. Devem ser formados do ponto de vista bíblico, teológico, pastoral e pedagógico, com grande experiência catequética, capazes de colaborar fielmente com os presbíteros e diáconos, animados por um verdadeiro entusiasmo apostólico. O Ministério não pode ser dado a qualquer pessoa! Não é um serviço para qualquer um, não é um prêmio por trabalhos prestados, mas é um serviço estável prestado à Igreja local de acordo com as exigências pastorais. A partir do recebimento do ministério, cabe ao catequista, em nome da Igreja, educar exemplarmente a fé dos catequizandos.
Tendo feito uma experiência com o Senhor, o ministro da catequese se torna capaz de transmitir e inserir seus catequizandos nessa mesma experiência. Dessa forma, o conhecimento adquirido o direciona a querer sempre que o outro conheça e viva a alegria plena que sente, porque está seguro e convicto do que representa Deus em sua vida. Sua vida é o próprio testemunho necessário que fala por gestos e palavras, lança fascínio, desperta interesse e atrai o outro para a mesma experiência. Ao final do processo catequético, em razão da palavra ouvida e testemunhada do seu catequista, o catequizando poderá dizer: "Meu catequista, por causa da tua palavra e principalmente do teu testemunho, eu acredito que Jesus é o Salvador do mundo" (Jo, 4, 42). Como mestre e educador, o catequista ajuda o catequizando a passar do individualismo para a vida em comunidade, do conteúdo para a liturgia, de tal forma que aquilo que ele ensinou agora é celebrado e testemunhado. Por isso, a sua vocação, identidade e missão não se localizam apenas na sala de catequese, mas estão para além dessas estruturas e desses ambientes, estão dentro da comunidade.
Particularmente, o catequista que recebeu o ministério acompanha os seus catequizandos na proximidade, na escuta, como um especialista em humanidade capaz de conhecer as alegrias e tristezas, esperanças e angústias de cada pessoa, e sabe colocá-las em relação com o Evangelho de Jesus (DC, n. 113c). Tal percepção lhe permite perceber a gradualidade do processo de cada catequizando em encontrar-se com Jesus Cristo.
Catequista, o Senhor precisa de você! Sua missão é insubstituível na transmissão e aprofundamento da fé. Em virtude do ministério recebido, você participa de um projeto divino, da missão do próprio Jesus, do Salvador do mundo, do Filho de Deus. Mais do que nunca, frente a tantos desafios culturais, cabe-lhe despertar o entusiasmo pessoal de cada batizado em aprender a viver como Jesus Cristo viveu.
Ao recordar o martírio de São João Batista, o precursor que anunciou Jesus Cristo à humanidade, recordo uma de suas afirmações: “É preciso que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30). O santo mártir deu a vida pelo que acreditava e amava. Meu querido ministro da catequese: seja fiel à missão recebida. Não é para ser melhor do que alguém, mas para servir mais. A graça de Deus não lhe faltará. A mãe de Jesus e de cada um de nós o acompanhará.
Ao Senhor toda glória e louvor. Amém.
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Fonte Dom Francisco Carlos Bach
