Palavra do bispo: Carnaval e Quaresma
Artigo de Dom Francisco Carlos Bach para o mês de fevereiro de 2023
03.02.2023 - 10:29:19

Neste mês de fevereiro temos o Carnaval e a Quaresma. Reconheço que não é fácil entender como, nos dias de Carnaval, há pessoas que jogam fora a sua dignidade pessoal e rebaixam a sua dignidade humana. No dia-a-dia nos deparamos com tantas notícias de violência, mas o noticiário dos dias de carnaval, em geral, é desolador.
A alegria é um sentimento importantíssimo na nossa vida. Lembremo-nos da Sagrada Escritura que afirma: “Ilude tuas inquietações, consola teu coração, afasta para longe a tristeza, porque a tristeza matou a muitos e nela não há utilidade alguma” (Eclo 30,21-25). Encontramos no Antigo Testamento um convite à alegria e à efusão dos sentimentos. Os judeus celebram o Ano Novo recordando o riso e a alegria de Sara e Abraão com a realização da promessa no nascimento de Isaac. O Novo Testamento é todo ele o anúncio da alegria, a Boa Nova da salvação, que leva São Paulo a afirmar: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos” (Fl.4,4).
Antes de um tempo em que a Igreja convida seus filhos a uma reflexão mais intensa sobre sua presença no mundo como cidadãos do Reino e sobre o empenho que devem ter pela sua santificação, a Igreja também nos impulsiona à alegria, dom misericordioso de Deus. Sem se conformar com o mundo, o cristão é uma pessoa alegre. E temos motivos de sobra, e muitos, desde o dom da vida, da liberdade, de poder contemplar o amor de Deus por nós. “Um santo triste é um triste santo”, dizia São Francisco de Sales.
O canto, a dança e a arte fazem parte de nossa condição humana. Se os praticarmos como expressão da nossa corporeidade e sentimentos dirigidos para a realização segundo a natureza em que fomos criados e na consciência de redimidos, representa um crescimento pessoal e uma necessária distinção dos afazeres de cada dia.
E o tempo quaresmal que iniciaremos na quarta-feira de Cinzas? Relembro aqui o que escrevi no prefácio do livro “Quaresma, convite à conversão” da Coleção “Iniciação Cristã Catecumenal” da Diocese de Joinville e publicado pela Editora Paulus: “O tempo litúrgico da Quaresma leva-nos a experimentar como é grande o amor de Deus, o que constatamos concretamente na Semana Santa, ao participar das celebrações litúrgicas dos mistérios da paixão e morte de Jesus Cristo, Filho de Deus, na cruz. A Quaresma é tempo providencial para que o cristão converta o seu coração para o Senhor, ame mais a Deus e viva a fraternidade. À medida que assumimos a Quaresma como tempo favorável à conversão do coração, somos levados menos às penitências e aos jejuns rituais e mais a amar, superando barreiras, fazendo renúncias, restaurando relações, vivendo a fraternidade”. “Com certeza compreenderemos, agindo desse modo, que o amor é muito mais valioso do que todos os holocaustos e sacrifícios” (Mc 12,22-35).
A partir dessas considerações, passamos a entender a razão litúrgica da imposição das cinzas no início do tempo quaresmal. Sua recepção é sinal de humildade diante de Deus e vontade pessoal de buscar vida nova, ou seja, de colocar em nossa vida os valores do Evangelho. As cinzas não perdoam os pecados, mas sinalizam que nossa vontade quer ir ao encontro do mandamento maior: amar a Deus e ao próximo. As penitências, abstinências e jejuns por si mesmos valem muito pouco. Não são fins, mas meios para revigorar a nossa identidade de cristãos, para fortalecer a nossa vontade na busca do bem. Em outras palavras, o jejum e a abstinência adquirem a sua verdadeira razão quando nos ajudam na busca da vida nova, revelada pelo próprio Jesus Cristo”.
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Fonte Dom Francisco Carlos Bach
