Palavra do bispo: A missão maternal de Maria
Artigo de Dom Francisco Carlos Bach para o mês de maio de 2023
02.05.2023 - 14:42:05

Estamos no mês de maio, mês mariano, unidos espiritualmente aos peregrinos que se dirigem à Fátima, Portugal, para celebrar no dia 13 de maio os 106 anos da primeira aparição de Nossa Senhora naquela localidade. É uma excelente oportunidade para despertar e aprofundar a devoção mariana, pois nela encontramos luzes e exemplos concretos para bem viver a nossa fé. De modo especial, quero referir-me à missão maternal de Maria, ainda mais que comemoramos neste mês o Dia das Mães.
Maria, escolhida por Deus para ser mãe do Salvador, não concluiu sua missão quando Jesus se tornou adulto e iniciou sua vida pública. Permaneceu mãe e na cruz adquiriu sua amplitude universal. Naquele momento, como os exegetas e o magistério têm afirmado muitas vezes, Maria se tornou “mãe de todos os homens”. Sua missão continua sendo a maternidade, caracterizada mais precisamente como “maternidade espiritual”. Tal missão se inicia com o testemunho da sua própria vida de discipulado e de santidade. Porém vai além do caráter de exemplaridade: maternidade é ativa, sempre presente, comprometida. Que seriam dos filhos se as mães se limitassem somente a dar exemplo? Mãe acompanha, protege, ensina, corrige, educa. A função maternal de Maria em relação aos homens também conhece esta dimensão ativa.
Muito ilustrativo neste sentido é o comentário que São João Paulo II fez na Carta Encíclica Redemptoris Mater sobre o valor simbólico do episódio de Caná, presente no capítulo segundo do evangelista João: “ir ao encontro das necessidades do homem significa, ao mesmo tempo, introduzi-las no âmbito da missão messiânica e do poder salvífico de Cristo. Dá-se, portanto, uma mediação: Maria coloca-se entre o seu Filho e os homens na realidade das suas privações, indigências e sofrimentos. Põe-se no meio, isto é, faz de mediadora, não como uma estranha, mas na sua posição de mãe, consciente de que como tal pode, ou melhor, ‘tem o direito de’ apresentar ao Filho as necessidades dos homens. A sua mediação, portanto, tem um caráter de intercessão: Maria ‘intercede’ pelos homens. E não é tudo: como Mãe deseja também que se manifeste o poder messiânico do Filho, ou seja, o seu poder salvífico que se destina a socorrer as desventuras humanas, a libertar o homem do mal que, sob diversas formas e em diversas proporções, faz sentir o peso na sua vida” (RM 21). Analisando ainda o mesmo texto, o Papa destaca um “outro elemento essencial desta função maternal de Maria”: ela é “porta-voz da vontade do Filho, como quem indica aquelas exigências que devem ser satisfeitas, para que possa manifestar-se o poder salvífico do Messias”. Por isso ela indica: “Fazei o que ele vos disser” (Jo 2,5).
Mediação maternal é mais que simples “intercessão”. Puebla muda o acento de Maria como modelo para apresentá-la mais explicitamente como mãe, assumindo assim a intenção de Paulo VI ao proclamá-la como “Mãe da Igreja” ao final do Concílio. Maria mãe é também educadora, pedagoga do evangelho, que educa Cristo nos corações. Este caráter educativo de Maria como mãe a coloca diante de nós como pessoa. Existe entre Maria e os discípulos de Jesus, seus filhos pela ordem da graça, uma relação pessoal de mãe para filho: “É algo essencial à maternidade o fato de ela envolver a pessoa. Ela determina sempre uma relação única e irrepetível entre duas pessoas: da mãe com o filho e do filho com a mãe. Mesmo quando uma só ‘mulher’ é mãe de muitos filhos, a sua relação pessoal com cada um deles caracteriza a maternidade na sua própria essência. Cada um dos filhos, de fato, é gerado de modo único e irrepetível; e isto é válido tanto para a mãe como para o filho” (RM 45). Cada um dos filhos é envolto de um profundo amor materno em que se baseia a sua formação e maturação em humanidade.
Por essas razões, cumpre a todos nós, fiéis à Igreja de Cristo, aumentar nossa devoção a Maria, correspondendo ao seu amor. Vivemos uma época que pede e exige uma viva piedade Mariana. Recitemos com fervor, em nossos dias, o que já se rezava no Século II: "Ao abrigo de vossa misericórdia nos refugiamos. Sob a vossa proteção recorremos, ó Santa Mãe de Deus". Oxalá o amor de Maria dispensado a Jesus seja o modelo a ser seguido por todas as mães, no cuidado com a vida e com o desenvolvimento de seus filhos.
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Fonte Dom Francisco Carlos Bach
