Palavra do bispo: É tempo de conversão para Deus e para os irmãos
Artigo de Dom Francisco Carlos Bach para o mês de março de 2024
04.03.2024 - 15:53:35

Por Dom Francisco Carlos Bach, bispo da Diocese de Joinville.
O tempo da Quaresma é um tempo de penitência e de reconciliação que nos anima a pensar e a agir, orientados pelo amor de Deus, a partir da morte e ressurreição do Senhor Jesus. Estamos sendo convocados, neste tempo, pelo próprio Espírito Santo para um encontro pessoal com o amor de Deus, o que tornará nosso coração generoso com as necessidades dos nossos irmãos.
O testemunho de vida cristã deve ser expresso nas ações que a Quaresma nos ajuda a consolidar, a saber, no jejum, na oração e na esmola. O nosso jejum não se limita apenas à Quarta-Feira de Cinzas e à Sexta-Feira Santa. Esta prática quaresmal deve ser criativa. A privação de alimentos ou guloseimas não deve bastar quando outros jejuns são necessários. Há o jejum da palavra sem caridade, da crítica amarga, da murmuração que destrói. Oxalá jejuemos nas atitudes impensadas que trazem sofrimento ao irmão. Jejua-se também quando a caridade fraterna clama nossa presença ao lado do que sofre qualquer tipo de provação. É exigência do mandamento do Senhor: “amai-vos uns aos outros”.
Nestes dias de Quaresma, a Igreja nos convida à oração ainda mais intensa. Sabemos que a oração não muda as coisas; a oração muda as pessoas e as pessoas mudam as coisas. Quando Deus quer agir diretamente, ele age. Normalmente, conta com a nossa participação e, quase sempre, somos a resposta de Deus para a oração dos irmãos aflitos. Na busca de viver a oração nos tornamos sensíveis a esses pedidos de piedade. A prática da oração frequente nos dá essa necessária sensibilidade. Pouco pedimos e quando o fazemos, nem sempre sabemos como pedir. Esta evidência bíblica nos leva a uma consideração importante: a oração de petição não deveria ir além do Pai Nosso, onde Jesus sintetizou as maiores necessidades. Mas, como um bom Pai está ciente da necessidade dos filhos, ele espera que peçamos, porque a necessidade nos aproxima do Senhor.
A esmola é um termo de origem grega, significa piedade, compaixão. Não deve se limitar a uma simples oferta em dinheiro. Não damos do que sobra, mas partilhamos o que nos pode fazer falta. A partilha da pobreza é a maior esmola. Jesus elogiou a viúva, que colocou duas moedinhas no cofre do tesouro do templo, mas era tudo o que ela possuía (Mc 12, 42). A esmola é um meio de santificação quando nos leva ao conhecimento interior, ao desprendimento, à solidariedade, à partilha dos bens materiais e à promoção humana. Essa dimensão quaresmal da esmola é um aprendizado que faz descortinar horizontes imensos de conquistas espirituais.
Uma prática penitencial recomendada pela Igreja neste tempo de preparação para a Páscoa é o jejum. O Antigo Testamento é rico na exortação ao jejum, como meio de retorno ao caminho da justiça, quando o povo dele se desviava: “Troquemos as vestes, cubramo-nos de cinza e de cilício, jejuemos e choremos diante do Senhor, porque é cheio de misericórdia para perdoar os pecados” (Joel 2, 13). A abstenção de alimentos sem o seu verdadeiro espírito quaresmal de conversão vale pouco ou nada. Pode até ser uma ofensa e um pecado, como em nossos dias, quando, pela vaidade, prejudica-se a saúde ou gastam-se fortunas enquanto tantos passam fome. O controle da boca, como dos demais sentidos, é um meio de equilíbrio humano, de domínio sobre si mesmo. Toda vez que perdemos o senso do equilíbrio, da prudência e da sabedoria da vida e nos deixamos dominar pelos excessos, desvirtuamos a dignidade humana.
A penitência do jejum é um retorno ao equilíbrio, tanto na vida individual quanto na sociedade. Que o pão que sobra em nossas mesas não se perca, que a roupa que não usamos cubra o que está nu, que não oprimamos o pobre, que deixemos de lado a vingança, que pratiquemos a justiça. Este é o espírito que deve nos guiar ao deixarmos de comer um pedaço de carne às sextas-feiras ou reduzir um pouco a nossa alimentação, seguindo a recomendação da Igreja, especialmente para este tempo. Votos de uma santa Quaresma!
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Fonte Dom Francisco Carlos Bach
