Palavra do arcebispo: o Santo Padre
Artigo de Dom Francisco Carlos Bach para o mês de maio de 2025
05.05.2025 - 16:13:07

O ministério petrino, isto é, a missão que foi confiada a Pedro e na continuidade da história a todos os Papas, é exigente e supera toda e qualquer capacidade humana. O ministério papal inclui visibilizar o Cristo na terra, ser artífice da unidade e comunhão, apascentar o rebanho de Cristo com todas as consequências inerentes. Não cabe ao Papa fazer a própria vontade, realizar ideias próprias, mas colocar-se à escuta, com a Igreja inteira, da Palavra e da vontade do Senhor e deixar-se guiar por Cristo, de forma que seja o próprio Senhor a guiar a Igreja.
Nenhum ser humano conseguiria, sozinho, sem a graça de Deus, sem a intercessão dos santos e sem a colegialidade episcopal, levar à frente o preocupante, extenuante e dificílimo encargo de conduzir a Igreja fundada por Jesus Cristo. São afirmações do Papa Francisco: “Sou um pecador em quem o Senhor pôs os olhos. Mas confio na infinita misericórdia e paciência de nosso Senhor Jesus Cristo”. “Sem a graça de Deus, não podemos fazer nada. É ela que nos transforma, que nos sustenta. O Papa também precisa dessa graça, todos os dias”. Era habitual, desde sua eleição em 2013 e ao longo de todas suas manifestações durante o pontificado, concluir com o pedido “Rezem por mim”. Ao longo do seu ministério, enfatizou por frases marcantes a sua humanidade, pequenez e humildade diante do cargo: “Também eu sou um pecador”. “Não sou um super-homem”.
O que torna possível aceitar a missão petrina encontra-se na certeza da ressurreição de Cristo, o que torna a Igreja viva como o próprio Senhor que a instituiu. Ela é conduzida pelo Espírito Santo e o próprio Jesus Cristo garante: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20).
Ao tornar-se Papa, o eleito é revestido do Pálio e recebe o Anel do Pescador, sinais eloquentes que nos ajudam a compreender a sua missão. O pálio, tecido em lã pura, foi introduzido no século IV, e tem como objetivo recordar o jugo do próprio Cristo, agora colocado sobre os ombros do Papa. Cristo carregou a sua cruz de forma obediente, servindo ao Pai e salvando a humanidade. A lã do cordeiro pretende representar a ovelha perdida ou também a doente e frágil, que o pastor coloca sobre os ombros e conduz às águas da vida. O pálio é o símbolo da missão do pastor. O anel do pescador significa o compromisso de conquistar os homens para Cristo, recordando o chamado de Pedro para ser cabeça do chefe apostólico, após a ressurreição e pesca abundante relatada no evangelho joanino (Jo 21,6-11).
Como membros da Igreja de Cristo, além de nossa unidade e comunhão com o Papa, devemos rezar por ele. Recordo as palavras do Papa Bento XVI, em 29 de junho de 2005: “A Providência divina me chamou para ser seu Pastor: eu lhes agradeço pelo afeto com o qual me acolheram e lhes peço que rezem para que os santos Pedro e Paulo obtenham para mim a graça de realizar com fidelidade o ministério pastoral que me foi confiado. Como Bispo de Roma, o Papa desempenha um serviço único e indispensável à Igreja universal: é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade dos Bispos e de todos os fiéis”. E ainda: “Que a Virgem Maria nos ajude para que o ministério petrino do Bispo de Roma não seja visto como um obstáculo, mas como apoio no caminho sobre a via da unidade, e nos ajude a alcançar, o quanto antes, o desejo de Cristo: ut unum sint (para que todos sejam um)”.
Louvado seja o Senhor, nosso Deus, pelo Papa Francisco, que guiou a Igreja nos últimos 12 anos com proximidade, misericórdia e humildade, e que o novo Papa, a ser eleito nos próximos dias, seja para todos nós o princípio e o fundamento visível da unidade na fé e da comunhão na caridade. Amém.
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Fonte Dom Francisco Carlos Bach
