Palavra do Arcebispo: Coração de Maria, reflexo da ternura divina de Jesus
Artigo de Dom Francisco Carlos Bach para o mês de junho de 2026
01.06.2026 - 08:45:28

O coração de Jesus é um coração apaixonado pela humanidade. Cristo veio ao mundo para salvar, curar, acolher e reconciliar. Toda a sua vida manifesta esse amor ardente pelo ser humano. Jesus se aproxima dos pobres, dos doentes, dos pecadores e dos esquecidos. O Evangelho frequentemente mostra Jesus movido de compaixão.
O coração de Maria ocupa um lugar singular na espiritualidade cristã pois reflete, de maneira pura e perfeita, o próprio coração de Jesus. Contemplar o coração da Virgem Maria é entrar no mistério do amor de Deus pela humanidade. O coração de Maria é um espelho fiel do coração apaixonado de Jesus por nós, um coração cheio de misericórdia e compaixão.
Desde a anunciação, narrada no Evangelho de São Lucas, percebe-se que Maria possui um coração totalmente aberto à vontade de Deus. Quando o anjo anuncia que ela seria a mãe do Salvador, Maria responde: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”. Nesse instante, seu coração une-se plenamente ao projeto redentor de Deus. Ela não compreende todos os caminhos que percorrerá, mas confia inteiramente. Seu “sim” não foi apenas um consentimento momentâneo; foi uma entrega contínua que acompanhou toda a sua vida. Logo após receber o anúncio do anjo, Maria dirige-se apressadamente à casa de Isabel. O amor verdadeiro sempre se transforma em serviço.
Nas bodas de Caná, vemos outro sinal profundo da união entre os corações de Jesus e Maria. Maria percebe a necessidade dos noivos antes mesmo que alguém peça ajuda. Seu olhar atento manifesta sensibilidade e amor. Ela intercede junto a Jesus e orienta os serventes: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Maria não busca chamar atenção para si; ela conduz todos para Cristo. O coração de Maria deseja que todos encontrem em Jesus a alegria verdadeira.
A tradição da Igreja contempla Maria como a mulher do coração transpassado. A profecia de Simeão “uma espada traspassará tua alma” realiza-se plenamente no Calvário. Mesmo em meio à dor, Maria permanece firme. Seu amor não vacila. O coração de Maria reflete o coração apaixonado de Jesus porque ambos revelam um amor capaz de permanecer fiel até o fim. O amor de Jesus alcança sua expressão máxima na cruz. Ali, o coração de Cristo é aberto pela lança, tornando-se sinal do amor infinito de Deus. Na cruz, Jesus entrega sua vida pela salvação do mundo. E ao lado da cruz está Maria. Seu coração sofre unido ao coração do Filho. Ela participa da dor redentora de Cristo não como simples espectadora, mas como mãe profundamente unida à missão de Jesus.
Na cruz, Jesus entrega Maria à humanidade na pessoa do discípulo amado: “Eis aí tua mãe”. Nesse gesto, Cristo mostra o coração materno de Maria. Ela torna-se mãe espiritual de todos os discípulos. Seu coração continua acolhendo, intercedendo e conduzindo os filhos para Deus. A devoção ao Imaculado Coração de Maria não separa Maria de Cristo. Pelo contrário, leva-nos a contemplar mais profundamente o amor do próprio Jesus. O coração de Maria é totalmente transparente à graça divina. É um coração humilde e disponível, moldado pela Palavra de Deus.
A espiritualidade mariana autêntica conduz inevitavelmente ao seguimento de Cristo. Quem contempla o coração de Maria aprende a amar mais Jesus e a amar os irmãos com maior generosidade. O coração de Maria forma discípulos missionários, capazes de viver a caridade, o perdão e a esperança. Nela vemos o modelo perfeito de resposta ao amor divino. Seu coração é inteiramente de Deus e inteiramente voltado para os irmãos.
Assim, ao contemplarmos Maria, somos convidados a deixar que nosso próprio coração seja transformado. O coração de Jesus deseja habitar em nós, e Maria nos auxilia nesse caminho de conversão e santidade. O amor vivido por ela não é inacessível, é um convite permanente para que também aprendamos a amar como Cristo amou.
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Fonte Dom Francisco Carlos Bach
