Palavra do arcebispo: celebrar o centenário participando do Tríduo Pascal
01.04.2026 - 09:15:57

Estamos vivento um tempo especial: o Centenário de nossa Igreja Particular. Torna-se ainda mais especial quando participamos efusivamente do Tríduo Pascal, coração do ano litúrgico da Igreja. Mais do que três dias isolados, trata-se de um único e grande mistério celebrado ao longo de três etapas: a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. É o ponto culminante da fé cristã, a fonte de onde brota toda a vida sacramental da Igreja e o centro da esperança que sustenta o povo de Deus. O Tríduo Pascal inicia-se na tarde da Quinta-feira Santa, com a Missa da Ceia do Senhor, e encerra-se nas Vésperas do Domingo da Ressurreição. São três dias santos que formam uma única celebração prolongada com a instituição da Eucaristia e do sacerdócio, a Paixão e Morte do Senhor, o silêncio e espera e a vitória da vida sobre a morte.
O Catecismo da Igreja Católica ensina que no Tríduo Pascal se realiza plenamente o amor de Deus: Cristo entrega-se livremente por nós e, ressuscitando, inaugura uma nova criação. O que celebramos nesses dias não é apenas uma memória histórica, mas um mistério atual, que se torna presente na liturgia.
A Quinta-feira Santa recorda a Última Ceia de Jesus com os discípulos. Nessa noite, o Senhor instituiu a Eucaristia, oferecendo Seu Corpo e Seu Sangue sob as espécies do pão e do vinho. Cumpre-se aqui o que está narrado no Evangelho segundo João, quando Jesus lava os pés dos discípulos, gesto que revela o verdadeiro sentido da autoridade cristã: servir. A instituição da Eucaristia é inseparável do mandamento do amor: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.” O sacerdócio ministerial também nasce nesse contexto, pois Cristo confia aos apóstolos a missão de “fazer isto em memória de mim”.
Na Sexta-feira Santa, a Igreja não celebra a Missa. Reúne-se para contemplar a Paixão do Senhor, ouvir a narrativa do sofrimento de Cristo e adorar a Cruz. É o dia em que a humanidade vê, de modo dramático, o peso do pecado e, ao mesmo tempo, a grandeza da misericórdia divina. O relato da Paixão segundo Evangelho segundo João destaca que Jesus entrega Sua vida livremente. Ele não é vítima do acaso, mas oferece-Se por amor. A Cruz, que aos olhos do mundo parece derrota, torna-se trono de vitória. Para nós, cristãos, a Sexta-feira Santa ensina que o sofrimento unido a Cristo adquire sentido redentor. A dor humana não é ignorada por Deus; ao contrário, foi assumida por Ele. Contemplar o Crucificado é reconhecer que somos amados até o extremo.
O Sábado Santo é marcado pelo silêncio. O altar permanece despojado. A Igreja medita o repouso de Cristo no sepulcro. É o dia da espera confiante, imagem de tantas situações humanas em que tudo parece perdido. Contudo, o silêncio do Sábado não é vazio: é gestação de vida nova. A celebração culminante é a Vigília Pascal, chamada pela tradição de “mãe de todas as vigílias”. Nela, a Igreja bendiz o fogo novo, acende o Círio Pascal e proclama solenemente que Cristo é a luz do mundo.
A liturgia da Palavra percorre toda a história da salvação, desde a criação até a Ressurreição. Celebram-se os sacramentos da iniciação cristã, recordando que, pelo Batismo, somos inseridos na morte e ressurreição de Cristo. Quando se entoa o “Aleluia”, após o silêncio quaresmal, a comunidade explode em júbilo: Cristo venceu a morte. O Domingo da Ressurreição não é apenas a lembrança de um fato passado, mas a proclamação de que a vida tem a última palavra.
O Tríduo Pascal é ocasião privilegiada de renovação espiritual. É um convite à conversão, à participação ativa na liturgia e à vivência concreta do amor. Celebrar o Tríduo Pascal é entrar no mistério central da fé cristã. É acompanhar Jesus na entrega, no silêncio e na vitória. É renovar nossa adesão ao Senhor que morreu e ressuscitou por nós. Que esses dias santos nos ajudem a viver com mais profundidade a Eucaristia, a caridade fraterna e a esperança cristã. E que, ao proclamarmos “Cristo ressuscitou!”, possamos também testemunhar, com a vida, que o amor é mais forte que a morte.
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Fonte Dom Francisco Carlos Bach
