Palavra do arcebispo: Corpus Christi
Artigo de Dom Francisco Carlos Bach para o mês de junho de 2025
02.06.2025 - 08:23:54

No dia 19 deste mês de junho de 2025 celebraremos a solenidade de Corpus Christi, destinada à nossa reflexão e adoração a Jesus Cristo. A nossa fé crê na presença verdadeira, real e substancial de Cristo na Eucaristia. Na santa Missa, após a consagração, pão e vinho tornam-se o próprio Cristo. Santo Tomás de Aquino, que viveu no século XIII, afirmava que a Eucaristia contém a riqueza espiritual da Igreja, dado que a Igreja não tem outras riquezas a não ser Jesus Cristo, e o que ele comunica a ela.
O Cardeal Avery Robert Dullles é considerado um dos maiores teólogos da Igreja católica dos últimos tempos. Foi um professor da Universidade Fordham, escritor, teólogo, sacerdote jesuíta e cardeal nomeado pelo Papa João Paulo II em 2001, sem ser ordenado bispo. No telegrama de pesar por seu falecimento, em 2008, o Papa Bento XVI destacou “o convincente testemunho pessoal da harmonia entre fé e razão, sobretudo, nos longos anos de ensinamento e pesquisa teológica”. São palavras do Cardeal Avery: “Para esclarecer o ensinamento da Igreja a respeito da presença real, será útil, acredito, contrapô-lo a algumas posições errôneas. A presença de Cristo pode ser entendida de maneira demasiadamente carnal ou mística, grosseira ou tênue, ingênua ou figurada. O erro realista ingênuo pode ser ilustrado por meio da reação dos judeus em Cafarnaum, que ficaram chocados com as palavras de Jesus. Evidentemente, eles pensaram que ele estivesse afirmando o canibalismo, que consideravam, com justiça, como um pecado horrível. Alguns cristãos compreendem a presença de Cristo na Eucaristia num sentido demasiadamente materialista, sem fazer uma adequada distinção entre sua presença natural e sua presença sacramental. Às vezes imaginam que ele poderia sofrer se a hóstia fosse profanada ou que poderia sentir-se sozinho no tabernáculo. Li em algum lugar sobre uma jovem estudante que tinha medo de tomar sorvete depois de receber a comunhão, pois pensava que Jesus sentiria frio”.
A Eucaristia é uma das formas que Jesus instituiu para ficar em nosso meio. Utilizou o pão: "Ele mesmo tomou o pão na mão e tendo pronunciado a bênção, o partiu, distribuiu a eles e disse: “Tomai, isto é o meu corpo” (Mc 14,22). A ceia pascal de Jesus com os discípulos recorda a multiplicação dos pães. Doando-se totalmente, na última ceia, ele se torna um dom gratuito. Ele se faz entrega de si mesmo aos outros. Dessa forma, ele se opõe a uma sociedade egoísta que custa a repartir. Somos convidados a partilhar o pão como Jesus fez e sermos, como ele, pão repartido para os outros. O pão é tão importante para a vida humana, que se tornou sinônimo de comida, de alimento.
Comer e beber estão intimamente relacionados com vida. Comemos quando sentimos fome, quando nos sentimos fracos. Comemos e bebemos também para celebrar. Comer e celebrar a vida são ações que caminham juntas: nascimentos, casamentos, aniversários, encontros de amigos. Ter fome e sede é expressão de muitos desejos que temos. Podemos dizer que temos fome também de dignidade, de lealdade, de franqueza, de amizade, de bondade. O pão e o vinho são frutos da terra e do trabalho humano, como reza o padre na hora do ofertório da missa. Duas realidades da pessoa humana ficam ligadas à Eucaristia: a terra e o trabalho. Portanto, o esforço e o suor de muitas pessoas estão escondidos por detrás de um pedaço de pão e de um copo de vinho.
O pão e o vinho são símbolos de nossa vida, com suas lutas e esperanças, alegrias e os sonhos. Para tornar-se pão, o trigo precisa ser triturado; para tornar-se vinho a uva deve ser amassada. Assim muitas vezes na nossa vida há choro, sofrimentos, coisas que não entendemos. Tudo isso nos ensina que a vida pode ser doada para o bem dos outros. Pão e vinho são consumidos sempre em refeição, em ceia partilhada. Jesus nos amou tanto que na véspera de morrer ele resolveu ficar no meio de nós em forma de pão e vinho. Ele mesmo diz: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede" (Jo 6,35); “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá eternamente " (Jo 6,51).
Na última ceia Jesus tomou o pão e o vinho e explicou que a partir daquele momento ele permaneceria conosco, unido a nossos projetos de vida. Comendo deste pão e bebendo deste vinho estaremos eternamente ligados a Jesus, porque o amor jamais morrerá. Junto com Jesus, no amor, nos tornamos mais fortes, corajosos, firmes na fé, e construtores de paz. Quem recebe a Eucaristia vive a vida do próprio Jesus. Ele mesmo disse: “Quem se alimenta com a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele” (Jo 6,56).
Eucaristia é amor, é compromisso com a vida. Ao receber Jesus, o cristão não fica de braços cruzados diante da necessidade dos irmãos. Impulsionado por Jesus, abre o seu coração para que todos tenham pão sobre a mesa. Também o pão da alegria, da amizade, do carinho, do perdão. Graças e louvores se deem a todo momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. Amém.
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Fonte Dom Francisco Carlos Bach
