Homilia de Dom Francisco Carlos na Missa de Instalação da Arquidiocese de Joinville
A celebração ocorreu dia 23 de fevereiro de 2025 na Catedral Metropolitana São Francisco Xavier
26.02.2025 - 09:22:50
Caríssimos arcebispos e bispos, irmãos no episcopado! De modo especial, no contexto desta celebração, saúdo Dom Murilo Krieger, que me ordenou bispo há 20 anos e, hoje, subdelegado pela Nunciatura Apostólica, concretiza o decreto papal de instalação da Província Eclesiástica e Arcebispado de Joinville. Igualmente, saúdo meus queridos irmãos de Província Eclesiástica: Dom Rafael Biernaski, bispo de Blumenau, e Dom Adalberto, bispo de Rio do Sul e fruto desta diocese, já que aqui exercia seu ministério presbiteral. Saudação carinhosa aos sacerdotes, diáconos, membros de Institutos de Vida Consagrada, seminaristas, pastores e representantes de outras denominações religiosas. Na pessoa de nosso prefeito municipal, Sr. Adriano da Silva, saúdo todas as autoridades civis e militares. Da mesma forma, um abraço carinhoso a cada fiel que está aqui na Catedral ou nos acompanha pela TV Evangelizar, emissoras de rádio e redes sociais.
Começo esta homilia — e não podia ser diferente — com o início do Salmo Responsorial da celebração eucarística do sétimo domingo do Tempo Comum: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu Santo Nome! Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores.” Faço esta oração de louvor pelos favores que o Senhor concede a toda a Igreja de Santa Catarina. Santa Catarina tem agora três Províncias Eclesiásticas. Numa definição simplória, uma Província Eclesiástica é uma estrutura para facilitar a coordenação de atividades pastorais e, em certas situações, até administrativas, para as dioceses próximas geograficamente em determinado território. Mas, na verdade, uma Província Eclesiástica, à luz dos valores evangélicos e dos princípios eclesiais, é muito mais do que isso.
Permitam-me sintetizar a história recente que nos permitiu a graça de termos três arquidioceses. Em 5 de novembro do ano passado, fomos surpreendidos com a alegre notícia de que o Papa Francisco criara mais duas Províncias Eclesiásticas no estado de Santa Catarina: Chapecó e Joinville, ao lado da Província Eclesiástica de Florianópolis, já existente desde 1927. O texto da comunicação da Nunciatura Apostólica no Brasil, Prot. 5027/24, assinado por S. Excia. Revma. Dom Giambattista Diquattro, comunicava a cada bispo/arcebispo do nosso Regional:
“Tenho a grande alegria de comunicar-lhe oficialmente que o Santo Padre Francisco reestruturou a Província Eclesiástica de Florianópolis e decidiu erigir a nova Província Eclesiástica de Joinville (atribuindo-lhe as dioceses de Blumenau e Rio do Sul) e a nova Província Eclesiástica de Chapecó (atribuindo-lhe as dioceses de Caçador, Joaçaba e Lages).”
A reestruturação da Província Eclesiástica de Florianópolis somente foi possível graças ao zelo apostólico de Dom Wilson Tadeu Jönck, arcebispo da citada, e de todos os bispos das dioceses catarinenses. Sem um acordo formal de todos os bispos envolvidos na criação de novas províncias, nenhuma modificação se viabiliza. Destaque-se aqui o apoio que tivemos da Presidência da CNBB. Em carta recebida por mim, então presidente da Regional, no dia 13 de setembro de 2022, assinada pelo então presidente da CNBB, S. Excia. Revma. Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Prot. 0279/22, informava que a presidência da CNBB acolhia a solicitação e não colocava obstáculos à criação das Províncias de Santo Antônio de Chapecó e São Francisco Xavier de Joinville, com as respectivas dioceses que as comporiam, conforme projeto apresentado à presidência da CNBB.
Admirável, para o êxito do nosso pedido, foi o interesse e a proatividade do Núncio Apostólico, o Exmo. e Revmo. Dom Giambattista Diquattro. Desde o primeiro contato, virtual ou nos encontros presenciais, demonstrou seu zelo pastoral. Recordo-me de sua primeira afirmação: “Se o objetivo for o zelo pastoral pelo Povo de Deus, terão todo o meu apoio.” E assim aconteceu... Expresso aqui minha gratidão ao Núncio Apostólico que, com a diligência do Dicastério para os Bispos e da Secretaria de Estado do Vaticano, permitiu que todo o processo tivesse êxito em apenas dois anos. Mas... nada teria acontecido se o Papa Francisco não tivesse assinado. Logo, reiteramos a nossa reverência filial e compromisso de contínua oração para o desafiante serviço que o Senhor lhe confiou na Igreja e no mundo.
Cabe ao Santo Padre, exclusivamente, nomear um arcebispo para uma Província Eclesiástica. Tal fato não torna o nomeado melhor que outro bispo, mas o vincula de modo especial com a Sé Apostólica e o estimula a empenhar-se mais intensamente na busca da comunhão espiritual e pastoral em benefício dos fiéis, promovendo, no Povo de Deus, a comunhão, participação e missão da Igreja de Jesus. O pálio, abençoado e entregue pelo Papa em Roma e colocado pelo Núncio Apostólico na respectiva arquidiocese, além de ser símbolo de privilegiada comunhão com o Sucessor de Pedro, responsabiliza em um maior empenho de amor por Cristo e pelas almas. Nunca esqueçamos que o sentido de todas as funções e ministérios, no seu fundamento, é que "cheguemos todos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao homem adulto, à medida completa da plenitude de Cristo, para que cresça o corpo de Cristo" (Ef 4, 13.16).
Convém destacar que, ao criar novas Províncias Eclesiásticas em SC, a Igreja, na pessoa do Santo Padre, reconhece a riqueza imensa de fé e de história do Povo de Deus do nosso estado. Recordo aqui o testemunho de fé das nossas famílias, que deram à Igreja, em tão grande número, cardeais, bispos, padres, religiosos, religiosas e fiéis leigos altamente qualificados e engajados nos serviços eclesiais e sociais. Santa Catarina é uma terra abençoada.
A partir do que encontramos nas palavras dos Papas, por ocasião das celebrações de bênção e entrega do pálio em Roma, à Igreja confia várias responsabilidades ao arcebispo e bispos de uma Província Eclesiástica. As sintetizo em quatro pontos:
- 1. Santidade – João Paulo II gostava de afirmar: “Guardai fielmente em vós, e nas pessoas que vos estão confiadas, a santidade de vida que é dom sobrenatural da graça do Senhor.”
2. Buscar a ovelha perdida – O Papa Bento XVI recordava-nos Cristo, o Bom Pastor, que se pôs a caminho pelos montes e descampados, à procura da ovelha extraviada (figura da humanidade).3. Sinodalidade – O pálio significa, de modo muito concreto, a comunhão dos pastores da Igreja com Pedro e seus sucessores.4. Fecundar a Igreja com o próprio sangue – A Igreja não é dos Papas, dos bispos, dos padres e nem mesmo dos fiéis; é unicamente de Cristo.
Obviamente, uma Província Eclesiástica não existe apenas porque tem arcebispo e bispos. Ela existe porque há o Povo de Deus no seu conjunto: clérigos e fiéis leigos. Todos somos corresponsáveis em unidade, pastoreio e comprometimento pela causa do Evangelho.
Concluindo, a razão fundamental da existência de uma Província Eclesiástica é de ordem pastoral. Suplicamos a Deus que, pela intercessão de nossos padroeiros São Paulo Apóstolo, São João Batista e São Francisco Xavier, consigamos ajudar os fiéis da nossa Província a serem “peregrinos de esperança.”
Rainha dos Apóstolos, rogai por nós! São Paulo Apóstolo, São João Batista, São Francisco Xavier, rogai por nós! Amém.
Assista também a homilia:
- 1. Santidade – João Paulo II gostava de afirmar: “Guardai fielmente em vós, e nas pessoas que vos estão confiadas, a santidade de vida que é dom sobrenatural da graça do Senhor.”
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Fonte Dom Francisco Carlos Bach
