Celebrar o Centenário com a Quaresma no coração e nas atitudes
Artigo de Dom Francisco Carlos Bach para o mês de março de 2026
02.03.2026 - 08:10:29

Em pleno Ano Jubilar, na comemoração de nosso Centenário como Diocese, nossa Arquidiocese vive o tempo quaresmal, momento forte de conversão, preparação e renovação espiritual que conduz a Igreja à celebração do Mistério Pascal. A Quaresma é um caminho de retorno a Deus, de purificação do coração e de compromisso concreto com o próximo.
É tempo de conversão, que não se confunde apenas como mudança exterior de comportamentos, mas sobretudo como transformação do coração, alcançada pela abertura sincera à graça de Deus. O jejum, a oração e a esmola, os três pilares quaresmais, ajudam a libertar o ser humano do egoísmo e a restaurar sua relação com Deus, consigo mesmo e com os outros. A dimensão pascal da Quaresma entende-se como morrer para o pecado para ressurgir com Cristo, numa renovação que toca toda a existência humana, pessoal e social.
Muitos santos, no processo de conversão, afirmaram ter sido fundamental o encontro pessoal com Cristo, especialmente contemplado no mistério da Cruz. Olhar para o crucificado, silenciar diante dele, dimensionar a imensa largueza do amor de seu coração. Assim, entende-se que até a penitência cristã, a ser praticada com maior intensidade no tempo quaresmal, não é um exercício de tristeza ou de autocondenação, mas um caminho de esperança, pois se funda no amor misericordioso de Deus que precede qualquer esforço humano. Ao fixar os olhos na cruz, convite feito a cada um de nós neste tempo quaresmal, percebemos que a vida tem sentido à medida em que é doada em favor do próximo. E só assim a caridade é entendida como expressão da fé que age e se doa pelo amor e não apenas como filantropia. A Quaresma é tempo privilegiado para educar o coração à lógica de doar-se, combatendo o individualismo e redescobrindo a comunhão eclesial.
O Papa Francisco enfatizava a tríplice dimensão pastoral, social e missionária do tempo quaresmal. Ele insistia que a conversão quaresmal deve ter consequências concretas na vida cotidiana e nas estruturas da sociedade. Alertava contra uma religiosidade superficial ou autorreferencial, recordando que jejum, oração e esmola só são autênticos quando conduzem à misericórdia e à proximidade com os pobres, os excluídos e os sofredores. Em suas mensagens, a Quaresma aparece como tempo de “despertar”, de romper a indiferença e de deixar-se tocar pelo clamor do outro.
A Quaresma se revela como um caminho integral de conversão: interior e exterior, pessoal e comunitário, espiritual e social. A Quaresma não é um fim em si mesma, mas um percurso que conduz à alegria da Páscoa, onde a vida nova em Cristo se manifesta como esperança para toda a humanidade.
Em nosso Centenário, não podemos perder a oportunidade de amar mais e melhor nosso Deus e estreitar nossos laços fraternos com todas as pessoas, filhos e filhas de Deus. O tempo quaresmal coloca-nos diante do absoluto amor de Deus, e a Campanha da Fraternidade, que tem como tema: “Fraternidade e Moradia” e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), desperta-nos para o compromisso social de refletir sobre a dignidade da moradia como direito fundamental do ser humano. Votos de santa Quaresma!
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Fonte Dom Francisco Carlos Bach
